18 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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nas suas leis fundamentais” (doc. 62, p. 228). Os obstáculos eram
interpretados por aqueles que os promoviam como expressão da vitória
da modernidade sobre o obscurantismo que atentava contra o ideário
subscrito pela república (doc. 56, p. 216). Corolário deste ambiente
hostil foi a explosão de uma bomba na capela na madrugada de 6 de
março de 1922 (doc. 66-67, p. 237-239). Os obstáculos continuariam
ainda nos anos seguintes (doc. 74-75, p. 279-280; doc. 81, p. 316). Se
na Câmara dos Deputados, o católico António Lino Neto erguia a sua
voz a pedir esclarecimentos (doc. 76, p. 281-282), no Senado será
Dias de Andrade a replicar à tentativa de Ramos de Miranda incluir os
milagres no reduto da superstição (doc. 77, p. 283-286). Nas invetivas
de um folheto da época, subscrito por um dito Grupo Anticlerical, “o
Milagre de Fátima […] é uma ridícula mentira, é uma comédia, não é
religioso” (doc. 78, p. 289). A adversidade também é contada nalgumas
cartas de 1929, escritas em resposta ao P. José Galamba de Oliveira
(doc. 110, p. 401-402; doc. 112, p. 405-406; doc. 114, p. 409-412).
3.5 - A doença e a morte dos videntes Francisco e Jacinta também
comparecem na documentação publicada. À morte de Francisco em 4
de abril de 1919 se refere um aditamento do pároco de Fátima ao termo
de encerramento do processo paroquial (doc. 44, p. 198). Mais
abundantes são as informações acerca de Jacinta, a propósito dos
cuidados com o internamento hospitalar em Lisboa e, posteriormente,
com o seu funeral (doc. 48, 50-52, p. 203,206-209). À doença e à
morte de ambos alude ainda com detalhe Manuel Nunes Formigão (doc.
53, p. 210-212). Restava agora Lúcia para testemunhar as aparições.
Já no Asilo de Vilar, no Porto, a cargo das irmãs doroteias, escreverá,
em janeiro de 1922, a pedido do confessor, o seu primeiro relato (doc.
65, p. 232-236). Em julho de 1924, também no Porto, será interrogada
oficialmente no âmbito do processo canônico (doc. 82, p. 317-324).
A partir de 1926, o volume inclui alguma correspondência de Lúcia,
escrita a partir das comunidades das irmãs doroteias de Pontevedra e
Tuy, por onde sucessivamente passou, sobre a devoção dos cinco
primeiros sábados em reparação das ofensas ao Imaculado Coração
de Maria, núcleo da aparição de 10 de dezembro de 1925. Segundo o
relato de Lúcia, transcrito pelo P. José Aparício da Silva, Nossa Senhora,
referindo encontrar-se o seu “coração cercado de espinhos que os
homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfémias e
ingratidões”, prometeu a assistência na hora da morte a “todos aqueles