17
a a a a a !"#
Paralelamente deu-se início à compra dos terrenos na Cova de Iria,
tarefa facilitada pela maior parte dos proprietários. No dizer do P.
Formigão, “há grandes dedicações e entusiasmos por Fátima” (doc. 61,
p. 226).
Manuel Nunes Formigão destacar-se-ia aliás na divulgação dos
acontecimentos de Fátima e dos elementos que podiam favorecer o
culto e a piedade. Em 1921 publicou Os episódios maravilhosos de
Fátima (anexo, p. 567-617), dando conta dos acontecimentos de 1917,
pela sua pena ou transcrevendo testemunhos. Relata ainda o segundo
aniversário da primeira aparição, evidenciando a fé dos presentes e
algumas curas. Depois de expor a doença e a morte de Jacinta, dá
conta também do que testemunhou presencialmente no dia 13 de maio
de 1920. O juízo ainda ficava em aberto – “Continuamos a manter-nos,
como até aqui, em benévola expetativa“ (anexo, p. 617) – mas os factos
eram tidos como credíveis e merecedores de divulgação. Idêntico
objetivo revelou com um novo opúsculo publicado em 1923, intitulado
Os acontecimentos de Fátima (doc. 73, p. 261-278). Descreve as
aparições, elenca as curas extraordinárias, alude à intenção de construir
um templo dedicado à Senhora do Rosário, à doença e morte de
Francisco e de Jacinta, ao atentado contra a capela de março de 1922,
à comissão de inquérito nomeada pelo bispo, aos transportes para chegar
a Fátima. Apesar da constatação de um comércio tido por indigno nas
proximidades do lugar das aparições, que a autoridade eclesiástica ia
procurando evitar, o opúsculo narra também o caráter religioso das
peregrinações ocorridas nos dias 13: “A lembrança sempre viva das
aparições e dos sucessos maravilhosos de que Fátima é teatro, a
atmosfera saturada de sobrenatural que ali se respira, o temor religioso
que insensivelmente se apodera de todos os que se aproximam do centro
das maiores manifestações periódicas de índole religiosa, que registam
os anais de Portugal, impedem a explosão das paixões humanas e
conservam à distância aqueles que por ventura sejam tentados a visitar
o local das aparições” (doc. 73, p. 276-277).
Fátima não gozava, porém, da benevolência de todos, nomeadamente
dos setores anticlericais e das autoridades, que iam pondo obstáculos
às peregrinações. Em maio de 1920, o governador civil de Santarém
deu ordens para que não se realizassem manifestações religiosas no 13
de maio (doc. 55, p. 215). Antes da peregrinação de junho de 1921 o
regedor da freguesia de Fátima recebeu indicações do administrador do
concelho de Vila Nova de Ourém para que “não consinta tais
Introdução