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1918-12-20, Fátima
Depoimento de Jacinto de Almeida Lopes, primeira testemunha do inquérito
paroquial, sobre as aparições de Fátima, nos dias 13 de julho e 13 de outubro de
1917.
Publ.: DCF, I - Doc. 32 (Este documento faz parte do Processo Paroquial de
Fátima).
Depoimento da 1ª testemunha
éêëìíîï ðñ Almeida Lopes, casado, proprietario, natural e morador
no lugar da Amoreira, desta freguesia de Fátima, sendo interrogado sobre
o que presenciara, relativamente aos factos ocorridos no local chamado
Cova da Iria, deste freguesia, disse que no dia treze de julho de mil
novecentos e dezassete, tendo-se dirigido com antecedência para o local,
ali permaneceu junto à carrasqueira onde estava quando chegaram as
crianças. Chegaram, ornamentaram a carrasqueira, ajoelharam, rezaram
o terço, levantaram-se e logo, com pouco tempo de demora, tornaram
a ajoelhar, e, todos de joelhos, começa a Lúcia, como que estando a
falar com alguém voltada para a carrasqueira onde tinha fixada a vista:
– Então o que é que me quereis?
A esta pergunta um bocadito em silêncio, tempo de uma breve
resposta. E durante este silêncio ouviu ele, como que vindo da
carrasqueira, uma voz muito sumida semelhante, diz, ao zumbir de uma
abelha, mas sem distinguir palavra alguma.
– Em seguida diz a Lúcia: – Tenho aqui um pedido a fazer-Vos: Era
se Vossemecê melhorava um aleijado de Aljustrel; se convertia uma
mulher do Pedrógão; se convertia uma mulher de Fátima e seus filhos;
se melhorava um homem da Atouguia ou o levava para o Céu o mais
depressa melhor1.
Dito isto... há um curto silêncio, como quem espera resposta, e ouve
a mesma voz, que não ouvia enquanto a Lúcia falava.
– Vossemecê, – continua a Lúcia – não poderá fazer com que esta
gente se converta?
1 “O homem da Atouguia” tem sido identificado como sendo Manuel da Silva
Reis, solteiro, proprietário, da Atouguia, concelho de Vila Nova de Ourém,
pessoa estimada, muito crente, que veio a falecer com 85 anos de idade, no dia
18 de fevereiro de 1924.
Doc. 39 1918-12-20