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1918-10-07
Carta de Luísa da Madre de Deus da Cunha e Menezes, Marquesa da Ribeira
Grande1, para o Dr. Formigão, a descrever aquilo a que assistiu em Fátima no dia 13
de outubro de 1917.
Publ.: DCF, III-2 - Doc. 383
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Exmo Snr Padre Formigão
Neste dia de Nossa Senhora do Rosário, em que, mais uma vez, se
manifestou a proteção da Virgem Maria na esperança dulcíssima da
Paz! Humildemente cumpro a promessa que fiz a V. Excia.
Sentindo faltar-me merecimento para bem descrever o que ouvi, ainda
mais, do que o que vi, rezo a oração de S. Bernardo para que Maria
Santíssima me inspire na tocante narração. Há quase um ano, a treze de
outubro de 1917, que milhares de pessoas, se encontravam em Fátima,
na piedosa aspiração de assistirem ao milagre que a Rainha do Céu,
anunciara, em iguais dias, dos cinco meses anteriores.
Às 8 da manhã, já me encontrava no meu posto, junto ao local das
Aparições.
Desde as 9 horas, que uma chuva ininterrupta nos encharcava, como
se Nossa Senhora quisesse provar a paciência dos seus fiéis com essa
pequena provação.
Como uma primeira bênção de sua misericórdia infinita, nenhum mal
a registar, em tantas saúdes débeis, que a suportaram.
Perto do meio-dia, hora de Deus, chegam os Pastorzinhos, Lúcia,
Jacinta e Francisco.
Como por encanto, cessa a chuva, enquanto os Pequenos rezam o
Terço no que os acompanhamos devotamente, na tremura da
aproximação da Hora Sagrada!
De repente, a voz de Lúcia:
– Lá está Ela, na carrasqueira.
Sensação eterna, sobrenatural a de saber a Mãe de Deus, junto de
nós!
1 Nasceu a 9 de novembro de 1843, em Lisboa. Casou a 11 de maio de 1867 com
Francisco de Sales Gonçalves Zarco da Câmara. Faleceu a 9 de junho de 1923.
Doc. 38 1918-10-07