16 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
óôõö÷ øùú û÷ üýþ÷ ÿ( ö ô û ô( ö( ô ô
membros do clero e da expetativa do pronunciamento das autoridades
competentes sobre a manifestação solar. No termo de um relato mais
curto, na revista Ilustração Portuguesa do mesmo jornal, Avelino de
Almeida, depois de se cingir aos factos, diria: “Milagre, como gritava o
povo; fenómeno natural, como dizem os sábios? Não curo agora sabê-
lo, mas apenas de te afirmar o que vi… O resto é com a Ciência e com
a Igreja…” (doc. 21, p. 116).
As ressonâncias na imprensa não se ficaram apenas por relatos
factuais de quem pretendeu ser imparcial e dizer só o que viu. A imprensa
foi também muitas vezes o palco da discussão em torno dos
acontecimentos de Fátima. Houve quem se serviu dela, para se justificar
ou defender, como o pároco de Fátima diante das acusações de
cumplicidade com o administrador de Vila Nova de Ourém, quando as
crianças foram levadas para interrogatório em 13 de agosto (doc. 6, p.
38-40. Também dela deitou mão quem quis divulgar os acontecimentos,
como Manuel Nunes Formigão no jornal A Guarda (doc. 47, p. 202).
Ainda recorreram a ela os detratores, ao pretenderem interpretar os
acontecimentos como um retrocesso da modernidade, que prescinde
da ciência e da razão, para iludir pelo milagre. É o caso da Comissão de
Propaganda do Registo Civil que se serve do jornal O Mundo de 26 de
outubro de 1917 para publicar um projeto de manifesto a propósito da
“invenção dos fantasiosos e ridículos milagres de Fátima”, resultado do
“ignominioso manejo clérico-reacionário” (doc. 20, p. 112). No início
de dezembro seguinte sairia uma folha panfletária, editada pela
Associação de Registo Civil e Federação Portuguesa do Livre
Pensamento, denunciando o recurso ao milagre “para embrutecer o povo
pelo fanatismo e pela superstição” e reclamando “a luz brilhante da
Verdade, da Razão e da Ciência” (doc. 27, p. 145).
3.4 - Entretanto ia ganhando expressão o culto e com ele a necessidade
de uma imagem de Nossa Senhora para a capela das aparições. Depois
de uma tentativa de compra em Lisboa, foi mandada fazer em Braga em
1919 (doc. 46, p. 201). Seria enviada em abril de 1920 (doc. 54, p.
213-214) e exposta ao culto no local das aparições em 13 de junho.
Gilberto Fernandes dos Santos, que oferecera a imagem e a expusera
naquele dia, refere ter acontecido “o fenómeno solar tal qual o de 13 de
outubro de 1917”, assim como o facto de ter sido “a Venerada imagem
completamente focada dum dourado transparente, celestial de certo”
(doc. 57, p. 217). Os milagres, as pagelas e os folhetos iam ajudando a