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Q ! Aparição a 19 de agosto
No dia treze de agosto por cerca das dez horas da manhã,
compareceu em minha casa, residência paroquial, onde me encontrava
com o M. R. Vigário da Vara de Torres Novas, Pe. António de Oliveira
Reis, o administrador do concelho, Artur de Oliveira Santos, trazendo
no carro que o transportava o R.do Pe. Manuel Carreira Poças, Prior de
Porto de Mós. Notando eu a este padre a minha admiração por ele
acompanhar a autoridade civil em assunto de tal natureza, me disse que
não havia novidade alguma, porque vinham de interrogar as crianças em
suas casas, e que o administrador, bem como ele, estava crente do que
dizem as crianças; que lhes não restam dúvidas, mas que vêm a minha
casa para eu interrogar as crianças – que estão a chegar – sobre um
segredo (primeira vez que ouvi falar no segredo), que elas dizem que a
Senhora lhes disse, mas que não lhes revelaram; e depois que o mesmo
administrador as leva ao local da Aparição, onde deseja também ir.
Igual declaração me faz também o administrador, aparentando senão de
crédulo, pelo menos de curioso. Cerca de meia hora depois apareceram
as crianças e seus pais. O administrador pede-me para eu as interrogar,
o que fiz na sua presença. Ao interrogar a menina Lúcia sobre quem lhe
tinha ensinado a dizer o que tem dito; responde que foi aquela Senhora
que viu na Cova da Iria. Ao dizer-lhe que vai para o inferno quem diz
mentiras que causam tanto prejuízo como o que causa o que ela diz – se
fôr mentira, por tanta gente vir enganada – responde, que, se quem diz
mentiras vai para o inferno, ela que não vai para o inferno por causa
disso, porque não diz mentiras, mas só diz o que viu e o que a Senhora
lhe disse, e que se o povo vem é porque quer, que ainda não chamou
ninguém. Pergunto-lhe se a Senhora lhe tinha dito algum segredo.
Responde que sim; mas, que me o não diz. Feitas várias interrogações
sobre ele, responde: Olhe!... se quer... vou lá acima e pergunto à Senhora
se Ela me dá licença para eu dizer o segredo e se Ela me der licença,
então digo-lhe. A isto responde o administrador: são coisas
sobrenaturais... vamos-nos embora. Levanta-se, manda sair as crianças
do meu escritório, onde nos encontrávamos, e subir para o carro. Isto
na presença dos pais e dos Rev.dos sacerdotes acima referidos. Segue
algum tempo o caminho que conduz à Cova da Iria, e .... depois, volta à
desfilada a caminho de Vila Nova de Ourém, para onde as transporta e
onde as retém até ao dia quinze em que veio entregá-las aos pais. A
notícia do rapto é levada com a rapidez do relâmpago ao local das
Aparições onde cerca de quinze a dezoito mil pessoas esperavam com
ansiedade a sua chegada.
Doc. 36 1918-08-06