172 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
éêë ìíîï ðñì òñéó ô õìöòê÷îø õîöéî ù úêíûî ðñì éìüéêýî ó ðñì ûîþêî éêòóï
que será um grande mal tal mentira. Ameaça, e diz já ter ameaçado a
filha com muitas coisas que lhe hão de acontecer se ela continuar a dizer
que viu Nossa Senhora e mentir. Diz que só estas coisas lhe estavam
reservadas para ela, etc., etc.
Procuro serenar a aflita mãe, dizendo-lhe que, se fôr verdade o que
dizem, é uma grande glória para ela e sua família. Oh!!... se fôr verdade...
mas se fôr mentira?!... exclama a duvidosa mãe. Aconselho-a a ter pela
filha os mesmos cuidados que até ali tem tido; que na ocasião, em que,
porventura, a filha haja de ir ao local da Aparição a não mande nem a
estorve, e que a traga à minha presença sempre, e só, após o dia da
Aparição, caso ela diga que continua a ter a graça de ver Nossa Senhora;
o que tudo prometeu fazer, oferecendo-se até, a vir, na véspera ou ante-
-véspera, com a filha à minha presença para eu lhe indicar qualquer
coisa que a filha houvesse de fazer ou dizer na ocasião da Aparição.
Disso a dissuadi para evitar algum mau conceito que a impiedade ou os
mal intencionados pudessem fazer, como ainda assim fizeram.
Posto isto, procedi ao interrogatório da filha – a dita vidente Lúcia –
a qual disse que no dia treze do corrente mês de maio, andava
pastoreando as ovelhas, com os primos Francisco e Jacinta, no sítio
chamado Cova da Iria – fica a dois quilómetros a noroeste desta Igreja
Paroquial de Fátima, junto à estrada que segue para a Batalha – por
cerca de uma hora da tarde – hora solar – e que tendo acabado de
rezar as contas – o terço – (o que fazia muitas vezes), viu um relâmpago
de que teve muito medo; começou logo a ajuntar as ovelhas e a mandar
os primos ajuntá-las para se irem embora, – para casa –, dizendo que
vinha lá trovoada, mas não via nuvens. De repente, viu outro relâmpago
e logo uma Senhora, de mediana estatura e extraordinária beleza, em
cima de uma carrasqueira – azinheira pequena – e que lhe disse:
– Não tenhas medo que te não faço mal.
E que ficando logo sem medo algum Lhe perguntou:
– Que lugar é o de Vossemecê?
E a Senhora lhe respondeu:
– O meu lugar é o Céu.
– O que vem Vossemecê cá fazer ao mundo?
– Venho cá para te dizer que venhas aqui todos os meses até fazer
seis meses, e no fim dos seis meses te digo o que quero.
– Vossemecê sabe-me dizer se a guerra ainda dura muito tempo ou
se acaba breve?
– Não te posso dizer ainda, enquanto te não disser também o que
quero.