160 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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verdadeiramente matemática?!... Demais, sendo eles tão deslumbrantes,
tão maravilhosos?!
Fui procurar meus irmãos que me disseram ter presenciado o mesmo,
assim como as restantes pessoas que encontrei, variando um tanto as
descrições do que observaram no sol. Às pessoas a quem tinha
classificado o caso de “blague” disse-lhes o que vira e que estava agora
absolutamente convencido de que estávamos em face de um milagre. O
astro-rei brilhava agora intensamente e não mais deixou de brilhar nesse
dia, assim como não tornou a chover. Quase no momento da partida
encontrei o meu amigo Emílio Infante da Câmara que me disse ter ido
ver as pastoras e que estas tinham dito: que a guerra acabaria brevemente,
ou que acabaria de ali a oito dias (não posso precisar). Disse-me também
que elas estavam vestidas com “toiletes” de primeira Comunhão.
Começava a debandada. Regressámos a casa.
Algumas semanas depois voltei ao local das aparições para entrevistar
as pastoras. Desejava conhecer essas crianças. Acompanharam-me
minha mãe, a Baronesa de Alvaiázere9, minha irmã, Maria Celeste10, e o
meu particular amigo Conde do Juncal11, e sua Ex.ma Mulher, que então
eram nossos hóspedes. Junto da Igreja da Fátima parámos e pedimos
que nos dissessem onde se encontravam as pastorinhas. Disseram-nos
que deviam estar no local das aparições e que o pastorinho que as
acompanhava e a quem a Virgem também aparecia que estava ali próximo
e que o iam chamar. Pouco depois apareceu este. Era uma criança de
dez a doze anos, trajando à moda do campo, bastante alegre e
despreocupado, ao que parecia. Convidámos o pequeno a acompanhar-
-nos ao que ele se prontificou logo, saltando sorridente para o automóvel
que nos conduzia. Fizemos-lhe várias perguntas mas ele sorria mais do
que falava, mostrando-se muito deslumbrado com as várias peças do
automóvel. Junto do local, em frente de uma mesa de madeira bastante
velha, onde estava colocado um Crucifixo, várias pessoas oravam. Lá
estava o tronco da azinheira cortada e os tais postes de madeira dos
quais pendiam duas lanternas de lata. Ajoelhámos e rezámos também.
9 Maria José da Câmara Faria Serpa Magalhães. Faleceu a 1 de janeiro de 1934.
10 Maria Celeste da Câmara e Vasconcelos, nascida a 22 de março de 1897. Faleceu,
solteira, a 16 de setembro de 1977.
11 Pedro Sande Mexia Aires de Campo Vieira da Mota, segundo filho dos Condes
do Ameal. Casou duas veze: a primeira com Maria Albina Cochofel da Silva
Correia; a segunda, com Maria Luísa Tavraes Aires de Campos.