14 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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em Fátima. É o caso do relato da manifestação solar de 13 de outubro
pelo P. Manuel Pereira da Silva, pároco de Monte Redondo:
“Imediatamente apareceu o sol com a circunferência bem definida.
Aproxima-se como que até à altura das nuvens e começa girando sobre
si mesmo vertiginosamente como uma roda de fogo preso, com algumas
intermitências, durante mais de oito minutos“ (doc. 12, p. 71). Ou o
testemunho de Leonor de Avelar e Silva Constâncio, a partir da sua
presença no local nos dias 13 de agosto, setembro e outubro, mesmo se
no primeiro dia não compareceram as crianças, detidas para
interrogatório pela autoridade municipal, e no último chegou a própria
atrasada por um percalço na viagem. Testemunha ainda assim o enorme
concurso de povo e a “magnífica e imponente manifestação de fé, a
daquela enorme multidão de cerca de 50 mil pessoas, quase todas ali
levadas pela fé, pelo desejo de se certificarem da veracidade dos factos
que tinham ouvido narrar” (doc. 17, p. 96). Narra ainda o contacto com
os videntes e a sua assistência ao interrogatório de 19 de outubro,
realizado pelo Manuel Nunes Formigão (doc. 18, p. 100). Ficou
agradada com as crianças, “que são robustas, sadias, alegres, francas e
simpáticas, com uma desenvoltura própria da sua idade” (doc. 17, p.
97). Partilha ou deixa ressoar conclusão idêntica à do P. Formigão já
anteriormente referida: “Todos estes argumentos que a minha razão me
suscita me fazem pôr de parte, tanto a ideia de exploração, como a de
sugestão nervosa, como até mesmo a de intervenção demoníaca.
Aguardemos a resolução da Igreja” (doc. 17, p. 99).
Os fenómenos solares de 13 de outubro de 1917 também geraram
curiosidade científica, repercutindo a atmosfera racionalista e positivista,
dada à explicação científica. Nalguns casos, o recurso à ciência fez-se
no sentido de descredibilizar os fenómenos. Noutros no de esgotar as
possibilidades de explicação, para tornar sustentável a possibilidade de
intervenção divina, superando as leis da natureza. A preocupação
científica favorável aos acontecimentos de Fátima emerge nas cartas de
Gonçalo de Almeida Garrett, bacharel em filosofia e doutor em
matemática, lente substituto em Coimbra, a Manuel Nunes Formigão.
Na primeira, de dezembro de 1917, considera os fenómenos solares
não “astronómicos do sol propriamente dito, mas sim meteorológicos
da atmosfera da terra sobre a imagem solar, quanto à cor e aspeto do
brilho semelhante à lua, e também quanto à vista da rotação” (doc. 28,
p. 148). Procurando uma justificação junto do seu destinatário para o
não concretizado fim da guerra, questionava-se ainda sobre a aparente