152 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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temperatura consideravelmente e dir-se-á que a vida na terra morreu.
Em Fátima, a atmosfera, embora roxa, permaneceu transparente até ao
confim do horizonte, que se distingue e vê claramente, e eu não tive a
sensação de uma paragem na energia universal.
Continuando a olhar o sol reparei que o ambiente tinha aclarado.
Logo depois ouvi um campónio que cerca de mim estava a dizer com
voz de pasmo: esta senhora está amarela. De facto tudo agora mudara,
perto e distante, tomando a cor de velhos damascos amarelos. As
pessoas pareciam doentias e com icterícia. Sorri-me de as achar
francamente feias e desairosas. Ouviram-se risos. A minha mão tinha o
mesmo tom amarelo.
Dias depois fiz a experiência de fixar o sol uns breves instantes.
Retirada a vista vi, após alguns momentos, manchas amarelas irregulares
na forma. Não se vê tudo de uma cor uniforme, como se no ar se tivesse
volatilizado um topázio, mas nódoas ou malhas que com o movimento
do olhar se deslocam.
Todos estes fenómenos que citei e descrevi observei-os eu sossegado
e serenamente sem uma emoção ou sobressalto. A outros cumpre explicá-
-los ou interpretá-los.
Para terminar devo fazer a afirmação, que nunca, nem antes nem
depois do dia 13 de outubro, vi iguais fenómenos, solares ou atmosféricos.
José Maria de Proença de Almeida Garrett
No caso de ser utilizado este meu depoimento peço para que se faça
a declaração, que algumas pessoas da Granja concorreram com 50.000
para a construção de uma capela, no local da aparição, e que este
dinheiro foi entregue ao Dmo Pároco de Fátima. Por este modo indicado
fica o paradeiro da quantia que nos fins de outubro me foi entregue.