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uma breve síntese sobretudo com as descrições concordes do fenómeno
solar. O testemunho mais pormenorizado refere a abundante chuva que
antecedeu a aparição e “aquela ingente multidão de povo, em grande
clamor e quase todo ajoelhado, voltado para o sol, e que este tinha
sinais desusados, girando sobre si, tremendo, observando ao mesmo
tempo um afrouxamento de luz e um aumento de temperatura” (doc. 19,
p. 106). No envio do relatório, o vigário de Porto de Mós refere a
concordância das testemunhas e o incómodo por o prometido fim da
guerra não se ter concretizado (doc. 24, p. 132).
O P. Faustino José Jacinto Ferreira, pároco de Olival e vigário de
Ourém, vigararia a que pertencia a paróquia de Fátima, não fez
propriamente um inquérito presencial, mas pediu um conjunto de
depoimentos a pessoas de prestígio. A Documentação Crítica de
Fátima integrou neste inquérito três depoimentos (cf. vol. 2, p. 211-
-237; veja-se a nota 2 da p. 221), que incuímos nesta Seleção (doc.
30, 31, 32, p. 154-163): o breve depoimento do P. Francisco Brás das
Neves, coadjutor da Freixianda, que resume as entrevistas a Lúcia e
Jacinta e refere sobretudo a questão do anúncio do fim da guerra; o
depoimento do P. Luís Andrade e Silva, que narra o que viu em 13 de
outubro, reconhecendo que aí se passou “qualquer coisa de
extraordinário” (doc. 31, p. 156), mesmo que não garanta tratar-se de
um milagre; o depoimento de Luís António Vieira de Magalhães e
Vasconcelos, advogado em Vila Nova de Ourém, que testemunha a sua
prudência inicial, em sintonia com o alheamento do clero do concelho, e
narra o que viu na aparição de 13 de outubro e o diálogo com Lúcia e
Jacinta algumas semanas depois. A impressão que lhe causou o fenómeno
solar é expressa com emoção, e a reserva inicial cedeu lugar à convicção
de que se tratava de uma manifestação divina: “Ao observar estas
manifestações, que não duvidei um momento que fossem devidas à Infinita
Omnipotência de Deus, uma indescritível impressão se apoderou de
mim. Sei apenas que gritei, creio, creio, creio, e que as lágrimas caíam
dos meus olhos, maravilhado, extasiado, perante essa demonstração do
Poder Divino. Sei também que não senti a menor sombra de receio ou
terror. Se não fosse católico, nesse momento ter-me-ia convertido” (doc.
32, p. 160). Apesar das dificuldades criadas pelo anúncio não
concretizado do fim da guerra e sem se querer antecipar à autoridade
eclesiástica, o deponente concluía que “as pastorinhas falam verdade e
se estas falam verdade não pode haver dúvidas de que foi um milagre o
que se deu no dia 13 de outubro próximo, passado, nas imediações do
lugar da Fátima” (doc. 32, p. 163).
Introdução