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äåæçèéêë Tínhamos de andar uns 18 quilómetros a pé, caminho a subir.
A dificuldade do caminho não nos desalentou. Tomámos por ele
resolutamente, rezando o terço em coro. O povo que passava descobria-
-se em sinal de respeito. Era enorme a concorrência de automóveis,
carros de todas as espécies, bicicletas, cavalgaduras; e como nós, a pé,
seguia grande quantidade de povo.
Fazia um calor sufocante, ameaçando tempestade, pois muitas nuvens
se acastelavam no espaço.
Os passageiros de um pequeno carro que passou por nós, gente boa
que notou a nossa sensação de fadiga, ofereceram-se para nos levarem
as sacas de viagem, favor que aceitámos reconhecidas, confiando na
sua seriedade, apesar de não os conhecermos. Passado pouco tempo
principiou a chover, e a chuva foi aumentado, tocada por um rígido e
frigidíssimo vento, ficando nós em breve tão molhadas e encharcadas
de água como se saíssemos de um banho.
A estrada parecia não ter fim; caminho aos zig-zags, muita gente
molhada como nós, mas andando sempre, movida pelo mesmo desejo,
pela mesma ânsia de chegar a tempo ao lugar da aparição.
Ao meio dia e meia hora, chegámos ao local, bem dispostas apesar
de tudo. O espetáculo era imponente!
Apresentava-se-nos um pequeno vale, bastante árido, sem uma única
casa; milhares de guarda-chuvas, abertos sobre as cabeças, davam a
impressão de um verdadeiro acampamento. A multidão comprimia-se;
caíam sobre ela torrentes de água, e contudo ninguém se retirava. O
terreno, em volta do local da aparição era barrento e encharcado. No
local destacava-se uma espécie de pórtico tosco, formado por três
barrotes aparelhados; aqui e acolá pequenos carvalheiros, e em redor
milhares de pessoas de todas as classes e condições.
Entre a multidão tomámos lugar, começando a rezar o terço em coro,
cantando o Avé de Lourdes, que o povo e as senhoras acompanhavam,
o Queremos Deus, recitando a oração de S. Bernardo, etc.
A chuva não parava um instante; tremia-se de frio porque o vento
era cortante. Entretanto ouve-se dizer: lá trazem as pastorinhas.
De facto uns homens transportavam ao colo as crianças vestidas de
azul claro, com véus de tule branco, seguros por coroas de rosas brancas
e folhagem verde.
Reparo na minha companheira, D. Ermelinda Gomes Ribeiro, e noto-
-lhe uma impressão de grande sofrimento. Pergunto-lhe o que tem, e
diz-me que sente uma pontada tão forte que mal a deixa respirar. Senhora
doente, com febre quase todos os dias, assim molhada, com os pés
Doc. 26 1917-p.11-23