138 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
ÒÓÔÕÖרÙÓ ÚÛÖÜÓÒÝÕÖ ÞßÓ ØÙÓà áÚáÛÓâÓÛÝá ÕßÛáÔÒÓ ÜÓÝÖ áÔÖã Ó ÞßÓ ÔÖ ÕÝá
13 de outubro lhes faria as últimas revelações.
Esta promessa não fora feita propriamente às três crianças, mas só à
privilegiada Lúcia, a mais velhita, única que recebia a graça de ouvir e
falar a Nossa Senhora. Contava-se que ofereciam à criança cordões de
ouro e dinheiro para ela dizer o que sabia; mas a pequena nem ao pároco
de Fátima, com quem fizera a sua primeira comunhão, deixando-o
maravilhado pela maneira como se preparava para um ato de culto, se
prestava a dizer o que ouvira a Nossa Senhora. No dia 13 de agosto o
administrador do concelho foi buscar a pequena Lúcia mais os seus
companheiros, outra pequena e um rapazito tambem pastores,
companheiros da primeira, mas que só recebiam a graça de ver a
Senhora, não a ouvindo porém nem lhe falando5.
Contava-se mais: que muita gente que naquele local se encontrou, à
hora do meio-dia solar, sentira qualquer coisa de extraordinário, de
sobrenatural, ajoelhando e rezando.
O mesmo se dera em 13 de agosto, dia em que a pequena Lúcia
esteve presa à ordem da autoridade administrativa. No domingo imediato,
19 de agosto, a criança pediu à Senhora a não deixasse ficar por
mentirosa no dia 13 de outubro; e acrescentava-se que a Senhora lhe
fizera essa promessa, dizendo: descansa, que todos aqueles que aqui
vierem hão de ver o milagre. E assim aconteceu. O povo e o próprio
pároco de Fátima metiam medo à criança, dizendo-lhe que, se no dia
13 de outubro o povo não visse o milagre, ali mesmo seria feita em
pedaços; ao que ela respondia serena e sorrindo: não fazem, não senhor,
porque a Senhora não mente.
Saí pois de Coimbra, na meia noite de 12 para 13 de outubro, com
duas amigas minhas, D. Ermelinda Gomes Ribeiro e D. Matilde Forjaz
de Sampaio, tomando lugar no comboio em 3ª classe, por promessa, e
seguindo até Chão de Maçãs, onde tomamos uma diligência que nos
conduziu até Vila Nova de Ourém.
Aqui chegámos às 7 horas da manhã, indo procurar o rev. pároco da
freguesia6 para que nos ministrasse a sagrada comunhão.
Pudemos assistir à missa, que foi ouvida por bastantes pessoas, e
fomos depois tomar uma pequena refeição, utilizando os farnéis que
5 Na realidade, a Jacinta também ouvia.
6 Pe. Manuel José Alves, pároco de Vila Nova de Ourém de 1904 a 1934. Faleceu
em Valadares, Monção, a 9 de janeiro de 1952.