12 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
¢£¤¥¦§£¨ © £ ¤ª¦«¥¤¬ª ®ª®¯°£±, passadas as dúvidas iniciais, de “que as
crianças falam verdade” (doc. 11, p. 63). A aparição de 13 de outubro
aconselhou novo interrogatório às crianças, centrado no anúncio do fim
da guerra, na visão de São José e do Menino Jesus e no milagre do sol.
Segundo Lúcia, a Senhora dissera que “a guerra acaba ainda hoje” (doc.
18, p. 101). Na descrição de Francisco e Jacinta do fenómeno solar, o
sol “andava à roda“ (doc. 18, p. 104). Alguma perplexidade quanto à
credibilidade das aparições geraria a declaração do fim da guerra, pelo
facto de os acontecimentos não confirmarem no imediato o anúncio.
Manuel Nunes Formigão regressou aos interrogatórios aos videntes em
2 e 3 de novembro, na procura de mais elementos e no esclarecimento
de pormenores que então se iam ouvindo. O interrogatório a Lúcia alarga-
se à visão no ano anterior de “um vulto branco” que se parecia com
“uma pessoa embrulhada num lençol” (doc. 22, p. 117). É ouvido
também João Marto, irmão de Francisco e Jacinta, sobre a aparição de
19 de agosto.
O volume ainda oferece o interrogatório do P. José Ferreira de
Lacerda aos videntes, realizado em 19 de outubro de 1917, a partir de
um questionário prévio (doc. 15, p. 81-88). Também aqui se indaga o
detalhe, assim como se procura discernir um eventual sugestionamento
das crianças, averiguando o conhecimento prévio de elementos integrados
no conteúdo das aparições; cuidado também presente nos interrogatórios
de Manuel Nunes Formigão. Muitas outras pessoas terão interrogado
as crianças, também Carlos de Azevedo Mendes, advogado de Torres
Novas, ainda em setembro de 1917, que deixou o relato em carta à sua
noiva (doc. 7, p. 41-47). Fica a perceção da coerência e da genuinidade
dos videntes, nos interrogatórios feitos em separado e na convivência
com as crianças durante a visita ao local das aparições.
3.2 - A preocupação com a credibilidade das aparições atravessa a
documentação logo desde o início. Assim, à narração dos videntes,
juntam-se os testemunhos de outras pessoas capazes de confirmar o
que deles provinha. Uns chegam-nos de cartas ou testemunhos
particulares, outros de inquéritos organizados pelas autoridades
eclesiásticas. No seguimento da aparição de 13 de outubro, o Patriarcado
de Lisboa, pela pena de D. João Evangelista de Lima Vidal, incumbiu os
vigários de Porto de Mós e de Ourém de colherem informações de
testemunhas fidedignas sobre os acontecimentos ocorridos em Fátima
em 13 de outubro (doc. 16, p. 89). O P. Joaquim Vieira Rosa, pároco
de Alqueidão da Serra e vigário de Porto de Mós, vigararia vizinha de