11Introdução
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juntamente com a promoção da análise dos acontecimentos, foi dando
passos prudentes e seguros rumo à aceitação das aparições.
3.1 - Parte fundamental desta Seleção são os interrogatórios aos
videntes. Os primeiros foram feitos a Lúcia logo em cima dos
acontecimentos pelo pároco de Fátima, P. Manuel Marques Ferreira.
Pouco tempo após cada aparição, registou o que foi dito em cada uma,
num crescendo de mensagem. Se da primeira decorre sobretudo a
necessidade dos vidente se deslocarem ao local “todos os meses até
fazer seis meses” (doc. 1, p. 31), progressivamente são dadas novas
indicações: o mandato de Lúcia aprender a ler (doc. 2, p. 32); a oração
do terço à Senhora do Rosário para que abrande a guerra; a promessa
de um milagre em outubro que fará com que todos acreditem (doc. 3, p.
33); a promessa de que em outubro “há de vir S. José dar a paz ao
mundo e Nosso Senhor dar a bênção ao povo” (doc. 8, p. 48). Na
aparição de outubro, alargam-se as indicações: “Quero-te dizer que
não ofendas mais a Nosso Senhor; que rezem o terço a Nossa Senhora;
façam aqui uma capelinha à Senhora do Rosário (Lúcia tem dúvida se
foi assim se foi: façam aqui uma capelinha, eu sou a Senhora do Rosário);
a guerra acaba ainda hoje” (doc. 14, p. 79). A partir dos elementos
recolhidos, o pároco de Fátima elaboraria um relatório, a pedido de D.
João Evangelista de Lima Vidal, arcebispo de Mitilene e vigário geral do
Patriarcado de Lisboa. O relatório manifesta a prudência do pároco
diante dos acontecimentos, procurando manifestar-se “indiferente
enquanto não houvesse provas evidentes ou a Igreja falasse” (doc. 36,
p. 182).
Ainda antes do termo das aparições, já Manuel Nunes Formigão
começara também a interrogar os videntes. Fê-lo pela primeira vez em
27 de setembro de 1917 (doc. 10, p. 52-61), por ocasião da sua visita
a Fátima, deslocando-se a casa de Lúcia. Junta ao interrogatório dos
três videntes também o da mãe dela. O interrogatório é abundante nos
pormenores, tantas as questões dirigidas às crianças, mas
substancialmente concorde com o do pároco de Fátima. No termo,
uma apreciação das aparições, em que reconhece a sinceridade dos
videntes e se mostra convicto de que se não trata de alucinações, nem
de possessão diabólica, aguardando, todavia, pela aparição de outubro.
Novos interrogatórios decorreram em 11 de outubro a um habitante de
Fátima, à mãe de Lúcia e aos três videntes. Do primeiro emerge a
respeitabilidade dos pais dos videntes, sobretudo dos de Francisco e