126 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
D
1917-11-10, Viseu
O jornal “Correio da Beira”1 publica um artigo de Maria José de Lemos
Queirós2, sobre os acontecimentos ocorridos na Cova da Iria, no dia 13 de outubro
de 1917 [data de redação: 30 de Outubro de 1917].
Publ.: DCF, I - Doc. 41 (Este documento faz parte do Processo Paroquial de
Fátima).
FÁTIMA
Peço ao... sr. Diretor do acreditado periódico, o “Correio da Beira”,
o favor de dispensar um cantinho do seu jornal para estas breves palavras.
Tendo visto já em vários jornais falar do extraordinário acontecimento
de Fátima, como eu e minha filha3 fomos testemunhas presenciais, vou
apenas dizer com toda a sinceridade que me caracteriza o que os nossos
olhos mortaes viram!
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Na véspera do dia 13 de outubro alugámos um carro, tendo sido
muitos felizes em encontrar naquela altura um coupé, em Torres Novas.
Saindo dali à ½ ou 1 hora da tarde, seguimos para Fátima aonde
chegámos ao toque das Avé Marias, tendo apenas descansado na
Charneca4, talvez um quarto de hora, para dar folga aos cavalos.
1 Publicação periódica, fundada em Viseu, a 1 de abril de 1911.
2 A autora deste artigo, que se designa apenas como “Uma assinante do seu
jornal”, e que rubrica com um simples “J”, é identificada pelo Pe. Manuel Marques
Ferreira, pároco de Fátima, no Processo Paroquial, de 18 de abril de 1919, fl.
17v. Nasceu na Quinta da Cruz, S. Salvador, Viseu, a 5 de fevereiro de 1859.
Casou com o Dr. Henrique de Queirós Pinto de Ataíde de Serpa e Melo São
Nicolau. Teve dois filhos: Maria do Amparo de Lemos Queirós Pinto Ataíde e
Henrique de Queirós Pinto Ataíde e Lemos.
3 Cf. nota anterior. Nasceu em Treixedo, Santa Comba Dão. Casou a 15 de agosto
de 1920, com o Dr. Joaquim Martins da Cunha e Almeida (Visconde de Rio-
-Torto). Maria do Amparo faleceu em Lisboa, a 15 de março de 1964. É autora,
pelo menos, de duas cartas ao Dr. Formigão: 9 de março e 14 de abril de 1918.
4 Charneca, povoação da freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, concelho
de Ourém. Pelo Decreto nº 37.890/50, de 21 de julho de 1950, foi alterado o nome
de Charneca para Vilar dos Prazeres (“Diário do Governo”, I série, nº 143, de 21
de Julho de 1950).