119
¸ ¹ º»¼ ½
35ª – Porquê?
– Porque o ano passado minha mãe ralhou-me, quando eu lhe disse
que tinha visto o vulto branco, e disse-me que eu andava a mentir.
36ª – Tua mãe soube por ti da 1ª aparição?
– Não; foi pelo Francisco e pela Jacinta ou por pessoas a quem eles
tivessem contado o que viram.
37ª – Conta-me o que ouviste dizer à Senhora em maio.
– Em maio a Senhora disse que não tivéssemos medo porque não
nos fazia mal. Perguntei-lhe donde era e ela disse-me que era do Céu.
Perguntei-lhe o que que queria e ela respondeu que fôssemos lá todos
os meses de mês a mês e ao fim de seis meses dizia o que queria.
38ª – Porque foste daí em diante ao local das aparições no dia 13 e
não noutro dia de cada mês?
– Fui no dia 13 porque fazia um mês. Entendi que devia ir no dia 13,
porque o dia da primeira aparição era 13.
39ª – Fizeste-lhe mais algumas perguntas?
– Perguntei se íamos para o Céu e a Senhora disse que sim, mas que
o Francisco devia rezar as contas.
40ª – A Senhora disse mais alguma coisa?
– Talvez dissesse mais alguma coisa, mas não me lembro.
41ª – O que foi que disse a Senhora em junho?
– Disse que continuássemos a ir à Cova da Iria e que aprendêssemos
a ler.
42ª – Disse mais alguma coisa?
– Estava presente um filho do Manuel Carreira, da Moita, aleijadinho
das pernas e das costas6. Perguntei à Senhora se o curava, e ela disse
que seria curado dentro de um ano. Já se curou pouco a pouco das
costas. Perguntei também se a Senhora era servida converter uma mulher
da Moita e ela disse que a converteria dentro de um ano7.
43ª – Que mais disse a Senhora?
– Não me recordo de mais nada.
6 João Carreira. Filho de Manuel Carreira e de Maria Carreira ou Maria dos Santos
(Maria da Capelinha). Nasceu a 26 de março de 1901, na Moita. Foi guardião da
Capelinha das Aparições. Faleceu, no Santuário de Fátima, no dia 6 de abril de
1975.
7 Deve notar-se que estes pedidos da Lúcia, aqui referidos como tendo sido
feitos em junho, aparecem nos primeiros interrogatórios do Pároco de Fátima,
em julho. Por outro lado, aqui fala-se de “uma mulher da Moita”, enquanto
naqueles se refere “uma mulher de Fátima”.
Doc. 22 1917-11-02