116 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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1917-11-02 e 3, Aljustrel
Interrogatórios do Dr. Manuel Nunes Formigão aos videntes Lúcia, Francisco,
Jacinta e a João Marto, nos dias 2 e 3 de novembro de 1917.
Publ.: DCF, I - Doc. 17
2 de novembro de 1917
[Interrogatório da Lúcia]
1ª – Não me tens querido dizer o que viste o ano passado.
Provalvelmente julgas que se trata de uma coisa sem importância que
não vale a pena averiguar bem. Pois crê que estás enganada. Preciso de
saber o que foi que viste então e como foi que as coisas se passaram.
– É certo que te apareceu um vulto branco?
– É.
2ª – Em que sítio?
– Vi esse vulto no Cabeço, às Estrumeiras, ao pé da Cova da Iria.
3ª – Quantas vezes o viste?
– Não me recordo quantas vezes.
4ª – Viste-o no chão ou em cima de alguma árvore?
– Vi-o em cima de uma azinheira.
5ª – O que te parecia esse vulto?
– Parecia-me uma pessoa embrulhada num lençol.
6ª – Dirigiste-lhe a palavra?
– Não lhe disse nada.
7ª – Andavas sózinha ou estavam contigo outras pessoas?
– Da 1ª vez eu andava com a Teresa do José Matias1 da Casa Velha,
e com o Manuel do Justino Pereira2.
8ª – Eles também viram?
– Disseram que também tinham visto.
1 Teresa, filha de José Matias (nascido em 1886) e de Maria de Jesus, da Casa
Velha. Nasceu a 23 de janeiro de 1906, na Casa Velha. Casou com José Anastácio
Vitória. Faleceu a 16 de novembro de 1997.
2 Trata-se de um engano do autor, pois refere-se a Maria de Jesus ou Maria
Justino, filha de Manuel Pereira e de Justina de Jesus. Manuel Pereira era
também conhecido por Manuel Justino Pereira, nome de seu pai. Maria de
Jesus nasceu a 26 de fevereiro de 1907.