100 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
dormido a última noite a Lúcia, sua sobrinha, interroguei separadamente
as três crianças, na presença da Ex.ma Senhora D. Maria Cândida de
Avelar e Silva e de suas ex.mas filhas D. Laura de Avelar e Silva, D.
Maria de Avelar e Silva e D. Leonor de Avelar e Silva Constâncio, da
Quinta da Comenda, Alcanhões (Santarém).
Comecei pelo interrogatório de Lúcia, que é do teor seguinte:
1ª – No dia treze do corrente Nossa Senhora disse que a guerra
acabava nesse mesmo dia? Quais foram as palavras que empregou?
– Disse assim: “A guerra acaba ainda hoje; esperem cá pelos seus
militares muito em breve”.
2ª – Ela disse: “esperem cá pelos seus militares” ou “esperem cá
pelos vossos soldados”?
– Disse: “esperem cá pelos militares”.
3ª – Mas olha que a guerra ainda continua!... Os jornais noticiam
que tem havido combates depois do dia treze!... Como se explica isto,
se Nossa Senhora disse que a guerra acabou nesse dia?
– Não sei. Só sei que lhe ouvi dizer que a guerra acabava no dia 13.
Não sei mais nada.
4ª – Algumas pessoas afirmam que te ouviram dizer nesse dia que
Nossa Senhora tinha declarado que a guerra acabava brevemente. É
verdade?
– Disse tal e qual como Nossa Senhora tinha dito.
5ª – No dia 27 do mês passado fui a tua casa falar contigo, lembras-
-te?
– Lembro-me de o ver cá.
6ª – Pois nesse dia disseste-me que Nossa Senhora tinha dito que no
dia 13 de outubro vinham também S. José e o Menino Jesus e que
depois disso brevemente acabaria a guerra, não nesse dia.
– Não me recordo já bem como Ela disse. Podia ter dito isso; não
sei. Talvez não entendesse bem a Senhora.
7ª – No dia treze do corrente mandaste ao povo que olhasse para o
sol?
– Não me lembro de assim fazer.
8ª – Mandaste fechar os chapéus?
– No outro mês atrás mandei. Da última vez não me lembro de mandar.
9ª – Sabias quando devia começar o sinal no sol?
– Não.
10ª – Olhaste para ele?