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1917-10-p.19, Aljustrel
Redação literária do interrogatório feito aos três videntes Lúcia, Francisco e
Jacinta, pelo Dr. Manuel Nunes Formigão, na sua quarta visita a Fátima.
Publ.: DCF, I - Doc. 16
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Depois do meio-dia parti de automóvel para a Fátima pela estrada
da Mendiga, Reguengo de Fetal e Porto de Mós. Cheguei a Fátima às 3
horas da tarde. Na Cova da Iria, junto da azinheira das aparições, algumas
piedosas mulheres do campo, ajoelhadas, rezam devotamente o terço.
A azinheira reduzida ao tronco, que tem pouco mais de um palmo de
altura, está envolta em ramos de plantas campestres e flores. A devoção
dos peregrinos, que desejavam conservar uma recordação do arbusto,
que servia de pedestal à Virgem durante as aparições, aniquilou-o quase
completamente. Tudo o mais se conservava no mesmo estado em que
se via no dia 11, antevéspera da última aparição. Dirigi-me em seguida a
casa da família da Jacinta, onde se encontravam os três videntes, que
estavam sendo submetidos a um interrogatório pelo Pe. José Ferreira de
Lacerda, pároco dos Milagres e diretor do semanário católico “O
Mensageiro”, de Leiria, e atualmente alferes-capelão do corpo
expedicionário português, o qual tinha vindo à sua terra em gozo de
licença e quis, antes de regressar a França, ver e falar com as crianças
de Aljustrel. Acompanhavam o Pe. Lacerda outro sacerdote de Leiria e
o pároco da Fátima. O número de visitantes das crianças aumenta de
dia para dia. Vêm a toda a hora, dos pontos mais distantes e opostos do
país. As crianças sentem-se bastante abatidas. A Lúcia sobretudo, devido
a ser interrogada mais detidamente, acha-se profundamente exausta,
notando-se que o cansaço excessivo a obriga a responder às perguntas
que lhe são feitas sem a atenção e a reflexão que era para desejar.
Responde às vezes quase maquinalmente, ocorrendo com frequência
não se recordar bem de certas circunstâncias das aparições, ao contrário
do que sucedia antes do dia 13 de outubro. Se não há cuidado em
poupar as crianças à fadiga das inquirições frequentes e demoradas, a
sua saúde corre risco de sofrer um profundo abalo.
Doc. 18 1917-10-p.19